Tenho
medo...
Por Luiz Maia
Eu tenho medo de ver novos amanheceres, de sair à noite e
de me apegar às pessoas que só nos fazem bem. Eu tenho medo doutor, eu tenho
medo. Tenho medo dos sinais de trânsito, das madrugadas sombrias, dos quartos
escuros que só nos ensinam a conhecer a dor. Por isto eu fujo da frieza perpétua
daquelas salas de mármores, dos corredores silenciosos e das portas de indicam
que "é proibido visitas". Sou frágil e não resisto à fraqueza humana, à
falsidade das pessoas que nos reservam o riso falso, que nos oferecem diversão
em forma de vã alegria, provenientes da falta de amor. Eu tenho medo que você
fuja dos meus braços, esqueça os meus afagos e pensamentos sem fim. Eu sinto
medo de olhar em seus olhos e não mais reconhecer você. Eu tenho medo da
distância que separa, da proximidade que não une, de ver o tempo passar sem ter
mais a chance de rever você. Eu tenho medo de voltar a caminhar pelos mesmos
parques, pelas praças desertas onde antes se avistavam crianças, o vendedor de
sorvete e aquele casal de velhinhos lendo o jornal. Eu tenho medo de não mais
ver a flor que era a razão de meus dias, que me dizia certas palavras que só
mais tarde eu pude entender. Eu tenho medo de calar minha voz por não saber mais
falar de amor.
Eu queria em breve reunir
forças e me renovar para o mundo, ser feliz novamente e valorizar o amor à vida.
Mas eu tenho medo de olhar para trás e não mais enxergar você. Eu tenho medo de
voltar a sentir saudade da alegria que havia naqueles nossos encontros, momentos
simples onde imperava a felicidade ao colher as flores que encontrávamos no
caminho. Eu tenho medo de negar o ciclo do dia, que ao iniciar não tarda para
findar, assim ocorre com os seres humanos. Ao ver um pôr-do-sol, começo a
refletir na noite que chega trazendo consigo o silêncio revelador do quanto que
é inútil este nosso apego à vida. Mas eu tenho medo da irresistível sensação de
que partimos a cada instante. Sutil e suavemente vamos deixando tudo para trás.
Não basta somente amar a vida, mas compreender que o Universo está em permanente
mutação; sobretudo que a espécie humana envelhece e que novas gerações haverão
de surgir. Eu só não tenho medo de ver no rosto da criança a mulher que um dia
foi você!
Luiz Maia
Literatura & Opinião! (Blog pessoal)
http://literaturaeopiniao.blogspot.com.br/
Literatura & Opinião! (Site pessoal)
http://www.luizmaia.blog.br/
Autor dos livros "Veredas de uma vida", "Sem limites para amar", "Cânticos", "À flor da pele" e "Tamarineira - Natureza e Cidadania. Recife-PE.
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